SAUDADES DA MINHA VOZ
Andei sentindo falta de ouvir meus pensamentos. Sentei pra ver televisão e não consegui entender o porquê de estar com a cabeça vazia - não vou culpar só a TV! Corri pro computador - pois agora quando eu quero escrever papel e lápis são coisas do passado - e descarreguei um monte de demônios, esperanças, porcarias e melancolias que insistiam em não aparecer na hora desejada. Depois da catarse da escrita respirei fundo e fiquei entre o ler e o não ler... demorou até que eu entrasse em consenso com minhas vontades, e acabei deixando pra depois o exercício da crítica, que muito me perturba é bem verdade. Pois bem, o rodeio que me leva a escrever hoje é uma lembrança que tive da minha infância... uma lembrança estranha, que eu realmente nunca havia lembrado. Lembrança inédita que causou inédito desconforto. Não vou dizer o que foi, quero falar apenas da sensação estranha de descobrir nova pessoa em mim... quando senti isso alguma vez? Várias, mas não com a intensidade de hoje. Como posso ser tão estranha, tão pouco eu? A disciplina da recordação nunca foi tarefa que exerci com habilidade, mas a imagem que tive hoje foi clara, palpável, quase real... geralmente minhas memórias são translúcidas, qualquer coisa como uma fantasia, uma mentira mal acreditada. Senti saudades da minha voz, de mim como sou hoje. Quase me confundi com o passado, com essa outra Júlia que vive e que eu realmente não conhecia!

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